segunda-feira, setembro 12

RETALHOS DA NOSSA HISTÓRIA

Nunca fui católico professante tendo participação ativa do cotidiano religiosa da cidade de Carnaubais em suas diferentes fases de mutação e transformação da sua realidade. 

Nascido em 17 de outubro de 1950, tenho um pouco de memórias que preservo com cristalina lembranças dos fatos.

O precursor da construção deste templo religioso que se debita na conta do empreendedor Abel Alberto da Fonseca a expansão da manutenção da sua história conheço, revelo alguns detalhes e coloco a disposição de quem interessar contestar o que afirmamos. Sou católico raiz, sem precisar ir me confessar nem comungar como é habitual no catolicismo. 

Aqui sobre as bênçãos de Padre Júlio,  fiz minha primeira comunhão no ano de 1957 - devo a dona Creuza Marcelino as instruções preparatórias para a crisma e catequese da primeira hóstia.

Este setor religioso tem muitos figurantes e variados capítulos, do antes e do depois! 

Abel Fonseca em 1913 -  foi o patrocinador da construção e o mestre Lucas Cazuzé o arquiteto desta colossal obra.

Neste período quem passou voluntariamente a patrocinar a limpeza  anual para a festa da padroeira desde que Monsenhor Honório. 

Começou como capelão do Assu e Macau vir celebrar missas ainda quando aqui se chamava  Poço da Lavagem, era minha avó Maria Januária Pessoa que tendo uma bodega na Timbaúba, em tempo que não existia a peste da inflação.

 Ela começava em Janeiro a juntar economia para no mês de novembro mandar fazer a pintura e a conservação de outros necessidades do altar de Santa Luzia.

Com seis ou sete anos de idade comecei a perceber sua responsabilidade nesta tarefa. 

Lembro que de cada 10 mil reis que ela juntava de suas vendas, tirava duas moedas e guardava numas latas de manteiga uma espécie  de cofre. 

As vezes pedia ajuda das próprias irmãs ou irmãos (os rapaduras e dos Purezas que eram primos).

Fez isto até saída de Padre Américo no atendimento da freguesia católica. 

Nascida em 1889 e faleceu em 1976. 

Deixou uma herança de religiosidade que até hoje, carrego comigo  e que irá para a sepultura.

Quando quero me confessar faço isto à Deus.

Minhas recomendações ou pedidos faço em orações que aprendi com minha avó e pra isto cultuo o hábito de todas as noites antes de dormir, tenho 4 bênçãos por obrigação: Pai do Céu, vovó e meus pais biológicos na eternidade.

Aqui eu registro um fato que para alguns pode até passar desapercebido, talvez, outros tenham lembrado e precisamos aqui e acolá fazer estes resgates. 

Quando mudamos a sede do município do Carnaubais antigo para a  nova Carnaubais, esta imponente obra, que não tenho a clareza de afirmar se é colonial ou barroca. Ficou literalmente a deriva sem zelo ou cuidado algum. 

Foi quando surgiu a presença de um morador o senhor José Moura - popularizado pela alcunha de "O Mouco da cidade velha" até que surgisse a nomenclatura cidade histórica.

Seu José Moura tomou para sí a responsabilidade de zelar e neste diapasão de cuidados foi o inovador das missas de São José em Homenagem ao padroeiro do Agricultor.

Eu que fui um militante político dos tempos do  MDB autêntico, recebi dele e sua esposa e filhos que eram eleitores em 1982, ele bacurau do bico roxo , chamou a mim e papai e disse conte com meu apoio, chamou a esposa e me apresentou: fiquei fiquei feliz quando ela disse José Everilda minha filha já pediu pra que eu votasse nele. Na verdade meus alunos é quem eram meus cabos eleitorais!


Esta histórica foto, servindo de base e proteção devido a altura da sua calçada serviu de garagem para os poucos carros que havia na cidade. 
Neste tempo eu estava isolado das agonias do nosso povo. 
Sabia as notícias daqui pelos Jornais Diário de Natal e Tribuna do Norte, não havia chegado a TV Cabugi nem nenhuma outra no RN.

Estava em Natal, morando na casa do estudante, um certo dia vesti a melhor roupa e sem apadrinhamento de ninguém, fui falar com o governador Cortez Pereira que havia sobrevoado a região de Helicóptero viu a catástrofe das águas inundando tudo. 

Finalmente através do meu mestre padre Zé Luiz consegui falar facilmente pois tinha uma equipe de jornalistas para falar com Dr. Cortez e entre eles minha senha de chegada, foi o dinâmico ex-padre que fiz amizade desde menino em Pendências. 

Depois desta breve conversa com o professor Cortez contando a fúria das águas, fui para Brisa Del Mare - aliviar os traumas dos que estavam sofrendo o impacto dos 31 dias de chuva do mês de maio de 1974 - responsável pelo transcurso desta nova realidade. 

Antes da barragem Armando Ribeiro Gonçalves chegar.

Mas, através da presença de meu pai que desde a enchente de 1960 - era proprietário de uma "Bateira", socorreu muita gente da Timbaúba, Tabatinga e da comunidade do Brejinho.

Quantas e quantas vezes eu fui de bicicleta depois de passar o rio Açu - a casa de seu Pedro Carritel residente no Estreito Alto do Rodrigues. 

Levar recado de papai para que o pai de Zé da Bodega - um calafate de extraordinária capacidade profissional, viesse  fazer a restauração das avarias que a embarcação precisava recuperar.

Uma vez por outras vou dá prosseguimentos à estes retalhos da nossa história porque a gente morre e a história se parar de ser alimentada, renovada, caduca e até o passado será esquecida no futuro!

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