quarta-feira, fevereiro 11

DOBRA NA ORELHA PODE INDICAR MAIOR RISCO DE INFARTO, MAS NÃO É DIAGNÓSTICO; ENTENDA




Uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como “sinal de Frank”, pode indicar maior risco de problemas cardíacos, segundo pesquisas médicas que associam essa marca ao envelhecimento precoce das artérias.


O tema ganhou atenção após a morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, por um infarto fulminante; ele apresentava uma dobra semelhante nas orelhas.

Importante: o sinal não é um diagnóstico, mas um possível alerta que deve ser avaliado junto com outros fatores de risco.

À primeira vista, a ruga que atravessa o lóbulo da orelha em diagonal, de cima para baixo, pode parecer apenas um traço pessoal sem importância. Médicos, porém, investigam há décadas se essa marca pode funcionar como indicativo visível de risco aumentado de doença nas artérias do coração.

O sinal foi descrito pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders Frank, em artigo publicado na revista científica “New England Journal of Medicine”, após a observação de 20 pacientes com doença coronariana que apresentavam a dobra na orelha. A maioria deles também tinha fatores de risco cardiovasculares.

Desde então, pesquisas investigam a possível relação entre a prega no lóbulo e a aterosclerose, condição em que placas de gordura, colesterol e outras substâncias se acumulam nas paredes das artérias, elevando o risco de infarto e outras complicações cardíacas.

Estudo brasileiro
 
Um estudo da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) analisou a associação entre alterações dermatológicas — especialmente a prega diagonal no lóbulo da orelha (sinal de Frank) e a prega pré-auricular — e a presença de doença arterial coronariana em homens submetidos a exames cardíacos.

A pesquisa avaliou 110 homens submetidos à cineangiocoronariografia entre 2004 e 2005 e concluiu que a prega diagonal apareceu em 60% dos pacientes com doença coronariana, contra 30% no grupo controle.

Quando as duas pregas estavam presentes, o valor preditivo positivo chegou a 90% para doença coronariana. Os autores ressaltaram que o mecanismo ainda não está totalmente esclarecido; uma das hipóteses envolve alterações microvasculares e perda de elasticidade da pele associadas à aterosclerose.

Avaliação médica
 
Dificilmente as pessoas nascem com esse sinal. Na maioria dos casos, a prega surge ao longo da vida e costuma aparecer em ambos os lados.

Segundo o cardiologista da Unidade de Hipertensão do Incor da Faculdade de Medicina da USP João Vicente da Silveira, o sinal está relacionado ao envelhecimento vascular e, quando surge em jovens adultos, aumenta a preocupação clínica.

“É um sinal, um alerta, uma pista. Uma luz vermelha que acendeu e apagou. Não necessariamente ele está com as artérias coronárias obstruídas e vai ter um infarto, mas é um alerta para o médico ficar atento e fazer exames mais específicos. E o contexto global precisa ser avaliado, como a história familiar e os fatores de risco”, diz Silveira.

Entre os fatores estão pressão arterial elevada, alterações de glicemia, colesterol alto, tabagismo, obesidade, consumo frequente de álcool e sedentarismo.
O médico afirma que, quando o sinal aparece em adultos jovens, costuma estar associado a hábitos e condições de risco.

“É praticamente impossível um paciente de 30 anos ter esse sinal e ter uma saúde totalmente normal. Isso é um sinal de envelhecimento das artérias e de que ele não está se cuidando”, diz Silveira.

Ele explica ainda que o lóbulo da orelha possui microartérias e que a prega está relacionada à desorganização das células de colágeno responsáveis pela elasticidade vascular.

Com a perda dessa elasticidade, as artérias podem se tornar rígidas, favorecendo obstruções e aumentando o risco de infarto e AVC.

Pacientes com o vinco no lóbulo e fatores de risco cardiovascular devem ser avaliados com maior atenção. Nesses casos, além da medição da pressão arterial, podem ser solicitados exames como ecocardiograma, teste ergométrico, avaliação de colesterol e até angiotomografia das coronárias e cateterismo cardíaco.

Se o cateterismo indicar obstrução arterial, pode ser necessária a colocação de um ou mais stents — dispositivos introduzidos nas artérias para restabelecer o fluxo sanguíneo — além de tratamento medicamentoso e acompanhamento contínuo.

Com informações do g1

Nenhum comentário:

Postar um comentário