
" Não é que tenhamos pouco tempo para viver, mas sim que nunca paramos de desperdiça-lo".
Há 20 séculos, um cordobês que havia sido questor, pretor, senador e cônsul de Roma, além de tutor de imperadores, sentou-se para escrever um pequeno tratado sobre a brevidade da vida. Foi ali que deixou registrada a frase: " Não é que tenhamos pouco tempo para viver, mas que desperdiçamos muito".
Essa ideia atravessou décadas e décadas, cravando-se na mente de milhares de pessoas e iluminando suas vidas. Ou simplesmente preenchendo páginas na Internet que aprendemos a consumir como qualquer outro produto de entretenimento
Um produto bastante popular, aliás. Nos últimos meses a Internet se encheu de frases de Sêneca. A que abre esta reportagem é uma delas, mas está longe de ser a única ( Se queres encontrar a verdadeira felicidade, não a busques no grande nem no novo, mas na serenidade que vem da simplicidade". " Não há vento favorável para quem não sabe onde vai". " Não é que tenhamos pouco tempo para viver, mas que desperdiçamos muito", e assim por diante. E isso é curioso.
Faz sentido recorrer a pensadores de 2 mil anos atrás para resolver problemas atuais? Surpreendentemente, talvez sim. Foi essa a pergunta que o professor de filosofia Christopher Gil se fez a alguns anos: e se toda essa conversa filosófica fosse além do discurso abstrato? " Até que ponto nós, os modernos, podemos reconhecer nesses ensaios uma resposta plausível a doença mental", questionou.
CHICO TORQUATO
Nenhum comentário:
Postar um comentário