O Blog do Barreto teve acesso a uma escala de médicos que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Mossoró no último dia 16 de janeiro e de hoje, 26.
O documento que cruza informações sobre a formação dos profissionais no Conselho Federal de Medicina (CFM) revela um cenário de inexperiência dos profissionais e levanta alertas sobre a qualidade do atendimento oferecido à população.
O documento, que lista 35 profissionais no dia 16, expõe não apenas uma dependência massiva da rede municipal em relação à empresa Serviços de Assistência Médica e Ambulatorial (Sama), que fornece médicos terceirizados ao município, mas também um exército de médicos que acabaram de sair dos bancos acadêmicos, a maioria deles da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (Facene), instituição que acaba de amargar uma nota 2 no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).
Dos 35 médicos escalados para unidades como UBS Dr. Chico Costa, Maria Neide e Estrada da Raiz, o perfil é de “recém-chegados”. Cerca de 60% da lista de 21 profissionais formados na Facene concluiu a graduação entre 2024 e o final de 2025.
O dado mais alarmante refere-se aos profissionais formados em dezembro de 2025. Com apenas um mês de CRM em mãos, esses jovens médicos estão sendo lançados na ponta do sistema de saúde mossoroense. Enquanto instituições tradicionais como a UFRN e a UERN (que tiraram notas 5 e 4 no Enamed, respectivamente) aparecem com menor volume, a Facene domina 37% da escala. Já na de hoje o número salta para 51% de formados na faculdade nota 2.
Além disso, 39% dos médicos na escala de hoje concluíram a graduação no ano passado e 54% possuem menos de cinco anos de experiência. Só 7% são considerados experientes.
A predominância de egressos da Facene ocorre no exato momento em que a instituição sofre sanções do Ministério da Educação. Com nota 2 no Enamed (em uma escala de 1 a 5), o curso de medicina da Facene Mossoró foi classificado como insatisfatório.
O resultado do exame, divulgado na última semana, aponta deficiências na formação desses profissionais, que agora formam a espinha dorsal do atendimento básico gerido pela Sama na gestão do prefeito Allyson Bezerra (UB).
Quem é a Sama?
A empresa Sama, responsável pela intermediação dessa mão de obra, segue no centro das atenções. Com contratos que superam os R$ 25 milhões, a terceirizada tem sido alvo de críticas por atrasos salariais e pela substituição de médicos experientes por profissionais mais jovens (e mais baratos para a empresa).
Ao contratar médicos com “cheiro de faculdade”, a Sama reduz custos de folha, enquanto mantém contratos vultosos com a Prefeitura de Mossoró. Para o cidadão na fila da UBS, o risco é ser atendido por alguém que, embora legalmente apto, possui formação avaliada como insuficiente pelo MEC e quase nenhuma vivência clínica.
Os dados expõem um estrago que a terceirização de serviços públicos pode causar.
Fonte: Blog Bruno Barreto

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