quinta-feira, janeiro 15

Cidades menores “furam a fila” no ranking das que mais receberam emendas pix no RN


A análise dos repasses federais para o Rio Grande do Norte entre 2020 e 2025 feita pelo Blog do Barreto revela uma face oculta do desenvolvimento regional: o dinheiro já não segue mais o mapa da necessidade, mas o mapa da lealdade. Ao subverter o ranking de repasses e privilegiar cidades como São Gonçalo do Amarante e Caicó em detrimento de municípios maiores, as Emendas Pix criaram uma nova moeda de troca que pode definir o destino das urnas.

A conclusão do levantamento é clara: o “Pix Parlamentar” não é apenas um recurso financeiro; é o combustível de uma máquina de reeleição e fortalecimento de grupos políticos que opera à margem do planejamento estatal.

Enquanto prefeitos de cidades como Parnamirim ou Macaíba precisam enfrentar meses de burocracia, licitações travadas na Caixa Econômica e exigências técnicas de ministérios para erguer uma escola ou pavimentar uma rua, o gestor beneficiado pelo Pix tem o dinheiro na conta de forma quase instantânea.

Como o Pix “Subverteu” a Lógica Financeira no RN:

MunicípioRanking por População (IBGE)Ranking de Recursos (Com Pix)O que mudou?
São Gonçalo4º maior do RN3º maior em VerbasO Pix fez a cidade ultrapassar Parnamirim e Macaíba em fôlego financeiro imediato.
Caicó7º maior do RN5º maior em VerbasCom forte apoio de Zenaide e João Maia, Caicó recebe proporcionalmente mais “dinheiro vivo” que polos maiores.
Pau dos Ferros18º maior do RN7º maior em VerbasUm salto gigantesco. A cidade virou um “ímã” de Pix para se consolidar como polo do Alto Oeste.
João Câmara22º maior do RN10º maior em VerbasSubiu 12 posições no ranking de relevância financeira graças às emendas diretas de João Maia.

Essa liquidez imediata gera um fenômeno de “hiper-realização”. O prefeito que recebe o Pix consegue entregar obras de curto prazo — como asfalto, reformas rápidas e eventos — no ano que antecede as eleições, criando uma percepção de eficiência que muitas vezes supera a de gestores que administram orçamentos maiores, porém travados pela burocracia federal.

A subversão do ranking populacional traz consigo uma conclusão alarmante para os órgãos de controle: a desarticulação do planejamento. No Rio Grande do Norte, o desenvolvimento deixou de ser um projeto de Estado para se tornar um projeto de mandato.

  • Onde o recurso cai: Não é onde o índice de mortalidade infantil é maior ou onde o déficit habitacional aperta, mas onde o prefeito garantiu o apoio ao parlamentar para o próximo pleito.
  • O custo da agilidade: A rapidez do Pix “cega” o planejamento a longo prazo. Prefere-se o asfalto que aparece rápido ao hospital que leva quatro anos para ser construído.

Papel do TCE-RN

O “xeque-mate” nesta estrutura de poder será dado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN). Com a Resolução nº 034/2025, o Tribunal tenta restabelecer o equilíbrio. Se o Pix foi usado para “comprar” apoio político ou apenas para inflar gestões aliadas sem benefício real à população, as contas de 2026 trarão o veredito.

“A subversão do ranking financeiro criou prefeituras ricas em estados pobres. O desafio agora é saber se essa riqueza gerou cidadãos mais assistidos ou apenas prefeitos mais fortes politicamente”, afirma o relatório final do levantamento.

Ao fim deste ciclo, o eleitor potiguar depara-se com uma nova realidade: o seu município pode estar recebendo milhões de reais, mas a origem e o destino desse dinheiro estão, hoje, mais ligados a um aperto de mãos em Brasília do que a uma necessidade real no seu bairro

Fonte: Blog Bruno Barreto 


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