Foto: cedida
O resultado do segundo turno das eleições de 2026 para o Governo do Rio Grande do Norte revela uma divisão geográfica importante do eleitorado potiguar. Embora Allyson Bezerra (União Brasil) tenha vencido nas três microrregiões que concentram alguns dos maiores colégios eleitorais do estado, Cadu de Lula (PT) conquistou a maioria dos votos em 16 das 19 microrregiões e garantiu a vitória estadual.
Levantamento do Blog do Barreto, realizado a partir da votação municipal e utilizando a divisão histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a força eleitoral de Cadu no interior foi determinante para compensar a vantagem de Allyson nos grandes centros.
Na base analisada, Cadu recebeu 1.072.602 votos (50,78%), contra 1.039.840 votos (49,22%) de Allyson. A diferença foi de 32.762 votos.
Allyson venceu nos três maiores polos regionais
A distribuição territorial mostra que Allyson concentrou suas vitórias nas microrregiões de Natal, Mossoró e Macaíba.
Na microrregião de Natal, Allyson obteve 326.829 votos (54,78%), contra 269.802 (45,22%) de Cadu. A vantagem foi de 57.027 votos, a maior registrada em uma microrregião.
Na microrregião de Mossoró, Allyson também venceu com folga: foram 127.059 votos (58,81%), contra 89.001 (41,19%) de Cadu. A diferença chegou a 38.058 votos.
Já na microrregião de Macaíba, que reúne municípios da Região Metropolitana de Natal, Allyson conquistou 104.771 votos (52,04%), enquanto Cadu recebeu 96.574 (47,96%). A vantagem foi de 8.197 votos.
Somadas, as três microrregiões garantiram a Allyson um saldo positivo de 103.282 votos.
A concentração territorial dessas vantagens, entretanto, não foi suficiente para assegurar a vitória estadual.

Interior garantiu a virada de Cadu
Nas outras 16 microrregiões, Cadu acumulou uma vantagem conjunta de 136.044 votos, superando o saldo obtido por Allyson nas regiões onde venceu.
O maior destaque foi o Vale do Açu, onde Cadu alcançou 60,42% dos votos válidos, contra 39,58% de Allyson. A diferença foi de 20.874 votos, a maior vantagem regional do petista.
Na microrregião de Pau dos Ferros, Cadu recebeu 59,27% dos votos e abriu uma vantagem de 15.614 votos.
O Seridó Oriental também teve participação expressiva na vitória do petista. Cadu alcançou 58,52% dos votos válidos, garantindo um saldo positivo de 13.348 votos.
Outras vantagens relevantes foram registradas em Umarizal (10.880 votos), Serra de São Miguel (10.776), Chapada do Apodi (10.239) e Seridó Ocidental (10.126).
A distribuição demonstra que Cadu conseguiu construir vantagens em diferentes áreas do interior potiguar, desde o Alto Oeste até o Seridó, passando pelo Vale do Açu e pela região Central.
Duas microrregiões tiveram disputas extremamente apertadas
Apesar da vitória em 16 microrregiões, Cadu enfrentou disputas equilibradas em algumas delas.
O caso mais emblemático ocorreu no Médio Oeste. O petista conquistou 15.681 votos, contra 15.620 de Allyson. A diferença foi de apenas 61 votos, o equivalente a aproximadamente 0,20 ponto percentual.
No Litoral Nordeste, Cadu também venceu por margem estreita: 32.710 votos, contra 32.297 de Allyson. A diferença foi de 413 votos, com percentuais de 50,32% e 49,68%, respectivamente.
O Agreste Potiguar também registrou uma disputa relativamente equilibrada, com Cadu alcançando 50,91% dos votos válidos e uma vantagem de 3.165 votos.
Esses resultados mostram que, embora o governador eleito tenha vencido na grande maioria das microrregiões, sua predominância territorial não significou necessariamente vitórias folgadas em todas elas.
Serra de São Miguel deu a maior votação proporcional a Cadu
Entre as 19 microrregiões, a Serra de São Miguel foi a que apresentou o maior percentual de votos para Cadu.
O petista conquistou 62,17% dos votos válidos, contra 37,83% de Allyson.
Na sequência aparecem Umarizal, com 61,05%, Vale do Açu, com 60,42%, e Serra de Santana, com 59,49%.
O desempenho nessas regiões evidencia a importância do eleitorado do interior para o resultado final.
A geografia da eleição explica a vitória apertada
O levantamento revela dois movimentos eleitorais distintos.
Allyson demonstrou força nos maiores polos urbanos, conquistando vantagens expressivas nas microrregiões de Natal e Mossoró, além de vencer em Macaíba.
Cadu, por sua vez, apresentou maior capilaridade territorial, conquistando a maioria dos votos em 16 microrregiões e, conforme a base municipal analisada, em 118 dos 167 municípios potiguares.
A diferença entre os dois candidatos foi de apenas 32.762 votos, o que reforça o caráter competitivo da disputa.
O resultado mostra que a concentração de votos nos maiores centros eleitorais não foi suficiente para superar a vantagem construída pelo petista em diversas regiões do interior.
A eleição para o Governo do Rio Grande do Norte em 2026 foi decidida pelo contraste entre a força de Allyson nos grandes polos eleitorais e a maior abrangência territorial da votação de Cadu.
O governador eleito venceu em aproximadamente 84% das microrregiões potiguares, demonstrando que a distribuição geográfica dos votos teve papel decisivo em uma das disputas mais equilibradas da história recente do estado.
Metodologia: levantamento do Blog do Barreto com base na planilha de votação municipal do segundo turno de 2026, utilizando as 19 microrregiões históricas do IBGE. Os percentuais regionais foram calculados pela soma dos votos dos municípios de cada microrregião, considerando apenas os votos válidos dos dois candidatos. Os dados da planilha estão identificados como parciais e podem apresentar diferenças em relação à totalização definitiva do TSE.
Fonte: Blog Bruno Barreto

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