sexta-feira, outubro 16

MEU CREDO POLITICO


                  " Em minhas incessantes buscas por conhecimentos, resolvi visitar o acervo do Senado Federal. Vejam a pérola que encontrei na produção oratória de Rui Barbosa! 

                    O discurso conhecido como " Resposta a Cezar Zame" na época adversário ferrenho de Rui Barbosa, no governo de Floriano Peixoto.

                     Sessão de 13 de outubro de 1896.

                      

                       Meu país conhece o meu credo politico, porque o meu credo politico está na minha vida inteira. Creio na liberdade onipotente,  criadora das nações robustas; creio na lei, emanação dela, o seu órgão capital, a primeira das suas necessidades, creio que neste regime, não há poderes soberanos é só o direito, interpretado pelos tribunais; creio que a própria soberania popular necessita de limites, e que esses limites vêm a ser as suas  constituições, por ela mesma criadas, nas suas horas de inspiração  jurídica, em garantia contra os seus impulsos de paixão desordenada; creio que a República decai, porque se deixou estragar confiando-se ao regime de força, creio que a federação perecerá, se continuar a não saber acatar a justiça; porque da justiça nasce a confiança e tranquilidade,da tranquilidade o trabalho e  produção, da produção o   crédito, do crédito à opulência a responsabilidade, a duração, o vigor;  creio no  Governo do povo pelo povo, creio porém, que o Governo do povo tem a base de sua legitimidade na cultura da inteligência nacional pelo desenvolvimento nacional do ensino, para o qual as maiores liberdades do tesouro constituíram sempre o mais produtivo emprego da riqueza pública, creio na tribuna sem fúrias e na imprensa sem restrições, porque creio no poder da razão e da verdade; creio na moderação e na tolerância, no progresso e na tradição, no respeito e na disciplina, na impotência fatal dos incompetentes e no valor insuperável da capacidade.

                   Rejeito as doutrinas do arbítrio, abomino as ditaduras de todo o gênero, militares ou cientistas, coroadas ou populares,detesto os estados de sítio, as suspensões de garantias, as razões de Estado, as leis de salvação pública; odeio as combinações hipócritas do absolutismo dissimulado  sob as formas democráticas e republicanas. Oponho-me aos governos de seita, aos governos de facção, aos governos da ignorância; e , quando esse se traduz  pela abolição geral das grandes instituições docentes, isto é pela hostilidade radical a inteligência do país nos focos mais alto de sua cultura, a estúpida selvageria dessa forma administrativa, impressiona-me com o bramir de um oceano de barbaria ameaçando as fronteiras de nossa nacionalidade.

CHICO TORQUATO

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