Lula começou o primeiro debate contra Flávio Bolsonaro, neste domingo (18/10), na Band, como quem precisava encontrar o próprio lugar no palco. Não deu boa noite, olhou para a câmera errada e se atrapalhou com o tempo. O adversário entrou mais organizado, cumprimentou os presentes e dirigiu uma saudação até ao presidente. Foi um gesto de civilidade que chamou a atenção numa família política tão acostumada à truculência. 1 a 0 para o senador.
A primeira impressão favoreceu Flávio. Mas debate não termina na apresentação. Ao longo do confronto, Lula recuperou a firmeza, administrou melhor o relógio, encontrou espaço para apresentar medidas do governo e produziu as respostas mais fortes da noite. Na avaliação desta coluna, venceu por 2 a 1, de virada.
O placar é uma avaliação do desempenho, evidentemente. O efeito eleitoral ainda precisa ser medido. Mas Lula pode ter conquistado parte dos indecisos e dos poucos eleitores que ainda admitem mudar de voto. Era esse o público que os dois precisavam alcançar. Falar apenas para quem já escolheu seu candidato, a uma semana da votação, é desperdiçar uma oportunidade.
Não foi uma vitória sem erros. Lula deu respostas insuficientes, entrou em provocações e poderia ter sido mais preciso em segurança pública. Ainda assim, terminou em condição bastante diferente daquela em que começou. Conversas que tive com integrantes das duas campanhas também reforçaram minha percepção de que o presidente cresceu durante o encontro.
Os dois candidatos escolheram assuntos que estão no centro das preocupações dos brasileiros. Flávio apostou na segurança pública. Lula insistiu na saúde. Segundo o Datafolha, a violência é o principal problema do país para 20% dos entrevistados; a saúde aparece em seguida, com 18%.
Flávio procurou explorar uma dificuldade dos governos petistas: oferecer uma resposta convincente à população que vive cercada pelo medo. A preocupação é concreta. Há brasileiros que organizam a própria rotina em função da violência, do domínio de facções e do risco de sair de casa. Lula precisava responder a isso.
➡️ Leia mais na coluna Matheus Leitão no metropoles.com
🤳 Renato Pizzutto/Band

Nenhum comentário:
Postar um comentário