O ex-ministro Rogério Marinho esperava mais gratidão dos seus aliados. O pré-candidato a senador anda muito chateado com os “nãos” que vem recebendo, especialmente aqueles que partem de quem mais foi ajudado por ele no período em que esteve com a caneta na mão no governo Jair Bolsonaro.
O “não” que mais decepcionou Rogério foi o de Álvaro Dias. O prefeito de Natal teve em Rogério o maior parceiro administrativo de sua gestão. Enquanto ministro, Rogério só não fez chover em favor de Álvaro. Mesmo assim preparou o tempo. Foram inúmeras obras realizadas com recursos diretos do Ministério do Desenvolvimento Regional ou viabilizadas por Rogério em outras pastas, como Turismo.
Rogério esperava que Álvaro fosse candidato a governador para lhe fazer companhia na chapa. Não deu certo, principalmente depois que Carlos Eduardo foi para o governo. Não dava para Álvaro renunciar e deixar a prefeitura nas mãos do grupo adversário.
O passo seguinte seria o prefeito de Natal emprestar seu apoio e prestígio ao nome que fosse escolhido pela oposição. Rogério escolheu Fábio Dantas, por eliminação, mas Álvaro, mais uma vez, disse “não”.
Interlocutores comentam que o ex-ministro do Desenvolvimento Regional está muito frustrado com a atitude do prefeito, já interpretada como ingratidão. Apesar de Álvaro anunciar que votará em Rogério para senador, a costura da candidatura ao governo é igualmente fundamental, para dar sustentação ao projeto.
Álvaro, que poderia ser um facilitador, passou a ser, nesse sentido, um obstáculo.
O outro “não” que afetou Rogério foi o de Ezequiel Ferreira. O ex-ministro tentou convencer, até o último momento, o presidente da Assembleia Legislativa a ser candidato. Ezequiel disse “não”. Logo Ezequiel, que é do PSDB, partido de inúmeros prefeitos que são eternamente gratos a Rogério por feitos liberados pelo ministério.
Como diz uma frase atribuída a Benjamin Constant, gratidão tem memória curta.
INSISTÊNCIA. O ex-senador José Agripino Maia, líder do União Brasil no RN, disse publicamente ontem que vai insistir para que o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), seja candidato a governador. Pelo visto, Agripino é mais um que não se empolga com a candidatura de Fábio Dantas (Solidariedade) pela oposição.
MUDANÇA DE FOCO. É a 1ª manifestação pública de Agripino no sentido de influenciar na escolha do candidato de oposição a Fátima Bezerra (PT). Até agora, o ex-senador estava discreto e dedicado a montar as nominatas do União Brasil para deputado estadual e federal. Com o trabalho, Agripino espera eleger três estaduais e dois federais.
BARREIRA. O prefeito Álvaro Dias (PSDB) quer que Paulinho Freire (União Brasil) seja o candidato da oposição ao governo. O presidente da Câmara Municipal até topa, mas não conta com a bênção de Agripino, que faz questão que Paulinho seja candidato a deputado. A candidatura de Paulinho é fundamental para o projeto do União Brasil de eleger dois federais.
SINAIS DE ÁLVARO I. Parte da oposição avalia que, ao vetar Fábio Dantas e lançar Paulinho, Álvaro Dias sinaliza que jogou a toalha da candidatura de oposição. O prefeito insiste no presidente da Câmara porque sabe que é em vão. O União Brasil não vai liberar e Paulinho, apesar de indicar que topa, tem afinidade com Fátima Bezerra.
SINAIS DE ÁLVARO II. O prefeito de Natal estaria de olho mesmo é no apoio do governo para a candidatura de seu filho Adjuto Dias (MDB) para presidente da Assembleia Legislativa no 2º biênio e na possibilidade de disputar o governo em 2026, como sucessor de Fátima.
A FORÇA DE CARLOS. Mais de dois meses já se passaram desde que ficou decidido que Carlos Eduardo Alves (PDT) será o candidato a senador na chapa de Fátima. A repercussão nas pesquisas é perto de zero, até mesmo em Natal. A constatação levanta uma dúvida: será que Carlos Eduardo realmente tem esse poder todo de reduzir a resistência ao PT em Natal e transferir votos para Fátima? A presença dele na chapa é fundamental para os planos do governo?
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