terça-feira, janeiro 13

Lula recua de novo, engaveta ministério da Segurança e vê PEC ameaçada no Congresso


Foto: Evaristo Sa/AFP

O presidente Lula desistiu de cumprir a promessa de criar um Ministério exclusivo da Segurança Pública e decidiu manter a estrutura atual do Ministério da Justiça até o fim do mandato. A ideia voltou à mesa após a saída de Ricardo Lewandowski, mas foi abandonada diante do risco político em ano eleitoral. Nos bastidores, aliados admitem que o combate ao crime organizado segue como um dos pontos mais frágeis do governo na corrida pela reeleição.

Sem força no Congresso, o Planalto já trabalha com a possibilidade de a PEC da Segurança — principal aposta do governo para responder às críticas da oposição — sequer avançar. A avaliação interna é de que o texto pode sair desfigurado, especialmente após o parecer do relator Mendonça Filho (União Brasil), rejeitado por líderes governistas. O líder do governo na Câmara, José Guimarães, chegou a afirmar que, se o relatório for mantido, é melhor nem votar.

Entre os principais entraves estão a divisão dos recursos do Fundo Nacional de Segurança, que ficaria restrita a estados e DF, o esvaziamento do papel da Polícia Federal no combate a facções e milícias, além de divergências sobre a atuação das guardas municipais. Para o governo, o texto atual enfraquece a coordenação nacional e fragmenta o poder da União no enfrentamento ao crime.

Enquanto o nome de Wellington Cesar Lima e Silva surge como favorito para assumir o Ministério da Justiça, o governo tenta ganhar tempo e reorganizar o discurso. Mesmo com integrantes do PT insistindo que a PEC segue como prioridade, a leitura política é clara: sem articulação e com resistência no Congresso, a principal vitrine da segurança pública de Lula corre sério risco de morrer antes de sair do papel.

Com informações do O Globo

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