quinta-feira, janeiro 22

BRIZOLA TINHA RAZÃO


                   Brizola tinha razão porque compreendeu, antes de muitos, que o imperialismo não busca parceiros, mas servos, e que sua ação começa pela economia, avança sobre a política e termina dominando consciências. Ao denunciar essa engrenagem, afirmava que um país que se submete perde o direito de decidir seu próprio futuro. Sua defesa do nacionalismo partia dessa constatação concreta: sem nacionalismo não há projeto de nação, há apenas submissão, e defender o Brasil jamais foi extremismo, mas dever histórico.

                   Brizola tinha razão ao sustentar o trabalhismo como política viva, não como memória. Para ele, colocar o ser humano acima do lucro era condição mínima de civilização. Enquanto existisse exploração do trabalhismo continuaria atual, porque não há nação forte com trabalhadores fracos e desprotegidos. Defender o trabalhador era, em sua lógica, defender o próprio país e a dignidade humana que nasce do trabalho.

                   Tinha razão quando colocou a educação no centro do projeto nacional. Ao afirmar que, se o Estado não construísse escolas, faltaria dinheiro para construir presídios, apontava uma escolha objetiva entre civilização e barbárie. A educação dizia, é a arma mais poderosa de libertação de um povo, e não existe democracia verdadeira onde o acesso ao conhecimento é privilégio de poucos.

                    Brizola tinha razão também ao tratar a saúde como direito e não mercadoria. Um governo que abandona a saúde pública, afirmava, abandona seu próprio povo. Onde a doença vira negócio, não há justiça social possível. A defesa da saúde pública era parte  inseparável de sua visão do Estado comprometido com a vida e com o lucro.

                   Brizola tinha razão ao defender a reforma agrária como eixo da justiça social e da soberania nacional. No Rio Grande do Sul, seu apoio ao MASTER - O Movimento dos Agricultores Sem Terra - expressou de forma  concreta essa convicção. Para ele, a concentração da terra era uma herança colonial incomparável com  a democracia e com o desenvolvimento. Ao enfrentar o latifúndio improdutivo e reconhecer o direito dos trabalhadores  rurais a terra, Brizola afirmava que não há paz no campo onde reina a injustiça. A reforma agrária não era, em sua visão, radicalismo ideológico, mas medida estrutural para garantir o trabalho, produzir alimentos, fixar o homem no campo e romper com a dependência econômica e social.

                   Tinha razão ao insistir que a soberania não se negocia, se defende. Um país que entrega suas riquezas deixa de ser dono do próprio destino, e sem soberania econômica a independência política não passa de farsa.Essa compreensão orientou sua resistência a entrega do patrimônio nacional e sua  crítica permanente à submissão aos interesses externos.

                 Brizola tinha razão porque sabia que a história é implacável com os que se omitem. Os povos que esquecem sua trajetória estão condenados a repetir seus erros, e o tempo mais cedo ou mais tarde, revela quem  lutou pelo povo e quem lutou contra ele. Sua coerência ao longo das décadas foi, em si, uma forma de escrita histórica

                   E, sobretudo, Brizola tinha razão ao afirmar que não existe democracia com fome, miséria e ignorância. A desigualdade extrema não é um detalhe do sistema, mas sua maior ameaça. Justiça Social, para ele, nunca foi favor nem concessão: sempre foi direito. Por isso, quando o Brasil enfrenta novamente dilemas que ele já havia identificado, suas palavras não soam como passado, mas como diagnóstico presente. Diante dos fatos, da história e da realidade social, a conclusão permanece clara: Brizola tinha razão.

DANIEL SB

CHICO TORQUATO

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