sexta-feira, janeiro 23

Saída da FedEx expõe gargalos históricos e encarece logística no Brasil


Foto: Divulgação

A decisão da americana FedEx de encerrar as entregas domésticas no Brasil escancara uma crise estrutural enfrentada pelo setor de transporte no país. Pressionadas por custos elevados, infraestrutura deficiente e insegurança, grandes transportadoras vêm reduzindo ou abandonando operações locais. O cenário ajuda a explicar por que o Brasil aparece apenas com nota 3,2 no Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial, em uma escala que vai até 5.

Especialistas apontam que o problema vai além de uma decisão empresarial isolada. O economista Cláudio Frischtak destaca o baixo investimento em infraestrutura de transportes, que representa cerca de um terço do necessário para atender à demanda nacional. Rodovias precárias, portos saturados e aeroportos limitados encarecem operações e reduzem a competitividade, especialmente na chamada “última milha”, etapa considerada de alto risco e baixa margem.

O peso do custo logístico no Brasil também chama atenção. Enquanto nos Estados Unidos ele representa cerca de 8,8% do PIB, no Brasil chega a quase 14%, sem considerar despesas com estoques. Soma-se a isso a forte dependência do transporte rodoviário, a escassez de motoristas e o avanço da insegurança, com milhares de roubos de carga por ano, elevando gastos com seguros e sistemas de proteção.

Paralelamente, o crescimento acelerado do e-commerce redesenhou o setor. Grandes plataformas passaram a internalizar a logística e terceirizar apenas etapas pontuais, comprimindo ainda mais as margens das transportadoras tradicionais. O resultado é um mercado mais concentrado, com menos grandes players internacionais e uma proliferação de operações regionais e informais, evidenciando um modelo logístico cada vez mais pressionado e desequilibrado no país.

Com informações do O Globo

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