domingo, março 31

Três meses do "novo" governo: Fátima Bezerra não fez o dever de casa


governo Fátima Bezerra (PT) completa três meses neste domingo (31), sem motivo para celebração ou alguma ação que possa vislumbrar algo positivo no futuro. Pelo contrário. Até aqui, o Governo não fez o dever do casa, como exige o cenário caótico das contas públicas e dos setores vitais reclamados pelos potiguares.

A nova administração repete os erros das gestões anteriores: é relapsa com a obrigação de tomar decisões duras, preocupada com a popularidade.
Fátima Bezerra assumiu um Estado quebrado. Ela sabia disso, é fato. Também sabia que era preciso adotar medidas duras, antipopulares, para enfrentar o desafio de reequilibrar as finanças públicas. Essas medidas passam pela privatização de estatais, como Potigás e Caern, revisão do quadro de pessoal, reforma do sistema previdenciário estadual; dentre outras providências amargas.
A governadora tem esquivado até aqui. As medidas encaminhadas à Assembleia Legislativa, com uma ou outra exceção, sugerem a “economia de bodega” diante de um “rombo” financeiro superior a R$ 4 bilhões, segundo dados do próprio Governo. O que impressiona é que Fátima Bezerra repete à exaustão o discurso de que o Governo Federal tem de socorrer o Estado quebrado, como de fato tem, mas se recusa a fazer a sua parte para receber a ajuda de Brasília (DF).
Uma postura tão frouxa quanto nociva diante do quadro assustador. O Governo continua acumulando um déficit de R$ 130 milhões por mês com a Previdência; arrasta-se sem solução para uma dívida de quase R$ 1 bilhão com salários atrasados e mantém a máquina ocupada, de alto custo, para atender políticos, correligionários e a base de apoio na Assembleia Legislativa, repetindo os seus antecessores.
Isso significa dizer, como resultado de uma matemática simples, que o primeiro ano do governo Fátima Bezerra aumentará em mais de R$ 1,5 bilhão o “rombo” nas contas públicas. Isso só com a previdência estadual. A conta é simples: multiplique o déficit mensal, que é de R$ 130 milhões, por 12 meses, que você chega a um montante de R$ 1,56 bilhão.
O fato é que a governadora fez opção pelo discurso – cômodo – populista e do sindicalismo inconsequente, em detrimento do Estado como um todo. De positivo, apenas o apoio de sindicalistas e sindicatos. Ela distribuiu cargos e neutralizou o movimento de servidores públicos, tanto que, mesmo sem ter qualquer previsão de atualizar os salários, quitar quatro folhas atrasadas, o Governo não sofre pressão das entidades sindicais.
Mas, isso é muito pouco, ou nada, diante do tamanho da crise que vive o RN. Daqui a pouco acaba a lua de mel, e a população potiguar vai cobrar nas ruas, sem convocar as entidades sindicais, que até pouco tempo perturbavam a vida de ex-governadores.

COLUNA CÉSAR SANTOS/JORNAL DE FATO

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