quarta-feira, setembro 9

​O BRASIL PEGOU DINHEIRO EMPRESTADO PARA COMPRAR A PRÓPRIA INDEPENDÊNCIA



             Portugal simplesmente não reconheceu: o que veio depois foram quase 3 anos de negociação diplomática, arrastada entre Londres, Lisboa e Rio de Janeiro, com a Inglaterra atuando como mediadora.

               A Inglaterra tinha interesse próprio. Queria vantagens comerciais no Brasil, mas era aliada tradicional de Portugal e não queria brigar com Lisboa. Então se colocou no meio.

                Em 29 de agosto  de 1825, foi assinado no Rio de Janeiro o tratado de Paz, Amizade e Aliança. Só ali Portugal aceitou o Brasil como império independente.

                  E, o acordo tinha preço. O Brasil concordou em pagar 2 milhões de libras, e D. João VI recebeu o título honorário de Imperador do Brasil.

                    O problema é que o tesouro brasileiro estava zerado. O país não tinha esse dinheiro. A saída foi levantar o valor no mercado financeiro de Londres.

                        E aqui está o  detalhe que quase ninguém conta. Portugal já devia mais de 2 milhões de libras a própria Inglaterra. Segundo o material da prefeitura do Rio de Janeiro sobre o tema, o dinheiro nem chegou a sair dos cofres ingleses.

            .        Ao Brasil coube pagar os juros e o serviço daquela dívida. Vale uma correção, porque essa parte costuma sair errada por aí. Não foi esse acordo que criou a primeira dívida externa brasileira. O país já tinha recorrido ao mercado Londrino em 1824. Com seus primeiros empréstimos públicos externos.

                    O que o tratado de 1825 fez foi aprofundar essa exposição ao capital britânico.

                     E tem mais uma coisa. Portugal não foi o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil. Foi um dos últimos. Os Estados Unidos reconheceram em 1824. México e Argentina em 1825. A França foi o primeiro país europeu. Portugal só reconheceu quando recebeu a conta.

História ilimitada

CHICO TORQUATO

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