
Portugal simplesmente não reconheceu: o que veio depois foram quase 3 anos de negociação diplomática, arrastada entre Londres, Lisboa e Rio de Janeiro, com a Inglaterra atuando como mediadora.
A Inglaterra tinha interesse próprio. Queria vantagens comerciais no Brasil, mas era aliada tradicional de Portugal e não queria brigar com Lisboa. Então se colocou no meio.
Em 29 de agosto de 1825, foi assinado no Rio de Janeiro o tratado de Paz, Amizade e Aliança. Só ali Portugal aceitou o Brasil como império independente.
E, o acordo tinha preço. O Brasil concordou em pagar 2 milhões de libras, e D. João VI recebeu o título honorário de Imperador do Brasil.
O problema é que o tesouro brasileiro estava zerado. O país não tinha esse dinheiro. A saída foi levantar o valor no mercado financeiro de Londres.
E aqui está o detalhe que quase ninguém conta. Portugal já devia mais de 2 milhões de libras a própria Inglaterra. Segundo o material da prefeitura do Rio de Janeiro sobre o tema, o dinheiro nem chegou a sair dos cofres ingleses.
. Ao Brasil coube pagar os juros e o serviço daquela dívida. Vale uma correção, porque essa parte costuma sair errada por aí. Não foi esse acordo que criou a primeira dívida externa brasileira. O país já tinha recorrido ao mercado Londrino em 1824. Com seus primeiros empréstimos públicos externos.
O que o tratado de 1825 fez foi aprofundar essa exposição ao capital britânico.
E tem mais uma coisa. Portugal não foi o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil. Foi um dos últimos. Os Estados Unidos reconheceram em 1824. México e Argentina em 1825. A França foi o primeiro país europeu. Portugal só reconheceu quando recebeu a conta.
História ilimitada
CHICO TORQUATO
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