
A disputa pelo Governo do RN pode se encaminhar para um desfecho que ninguém previa há dois meses: um segundo turno entre Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT), com o líder das pesquisas, Allyson Bezerra (UB), assistindo de fora.
Para esse cenário se concretizar, dois movimentos precisam acontecer ao mesmo tempo. E os números do Instituto Seta mostram que os dois já estão em curso.
O primeiro é a fuga do eleitor bolsonarista de Allyson. Esse movimento está quase completo: Álvaro já concentra cerca de 70% do eleitorado de Bolsonaro que desaprova o governo Fátima e, entre uma pesquisa e outra, tomou de Allyson metade dos votos que ele tinha nesse público. Resta pouco a extrair, mas o estrago já foi feito.
O segundo movimento é o decisivo: a migração do eleitor de Lula que aprova a gestão Fátima. Esse é o maior bloco do eleitorado potiguar (26% do total) e um terço dos votos de Allyson vem exatamente daí. É um eleitor em contradição: vota Lula, aprova o governo do PT no estado, mas ainda declara voto no principal adversário da continuidade. Cadu é o candidato natural desse público, e o eleitor começou a perceber: em três semanas, a vantagem de Allyson sobre o petista nessa fatia derreteu de 42 para 11 pontos.
As simulações indicam o número mágico: se Cadu converter cerca de 60% desses lulistas governistas que ainda estão com Allyson, ele cruza a barreira do segundo turno e quem cai é justamente o líder. Nos cenários de conversão avançada, a fotografia final fica assim: Cadu na casa dos 28-30%, Álvaro nos 27-28% e Allyson despencando para perto dos 20%, sustentado apenas pelo eleitor sem lado, o antigovernista que não é bolsonarista.
No ritmo atual de migração, esse ponto de virada pode ser alcançado entre agosto e setembro.
A ironia é que Allyson segue confortável na liderança, com 35,9%. Mas é uma liderança construída sobre o eleitor despolarizado e, num estado que escolhe lado a cada nova pesquisa, esse é exatamente o voto que evapora primeiro. Se os dois movimentos se completarem, o RN repete em outubro o plebiscito nacional, com nomes locais: Lula contra Bolsonaro.
As pesquisas de agosto dirão se o líder encontrou o freio ou se a eleição já mudou de dono.
Fonte: Blog Bruno Barreto
Nenhum comentário:
Postar um comentário