
"Quando cheguei ao quartel, fui à última cela do lado direito do 2º andar, na área que se chamava presídio. Na cela, onde habitualmente ficavam cinco ou seis pessoas, havia um só preso, deitado sobre uma cama. Ele era uma equimose só.
Estava roxo da ponta dos cabelos à ponta dos pés. Ele havia sido torturado, mas, quando fui examiná-lo, verifiquei que seu abdômen estava endurecido, abdômen de tábua, como se fala em linguagem médica.
Suspeitei que houvesse uma ruptura do fígado ou do baço, pois elas provocam uma brutal hemorragia interna. Eu nunca havia presenciado um quadro deste tipo. Aquele homem levara uma surra como eu nunca vira. Fiquei na cela com ele durante uns 15 minutos.
Durante todo o tempo ele esteve deitado. Estava consciente. Não gemia. Disse só duas palavras: - Rubens Paiva."
Amilcar Lobo,
médico da ditadura para a Veja,
em 3 de setembro de 1986
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