sexta-feira, abril 10

ESPECIALISTA EXPLICA PRINCIPAIS SINTOMAS DA BRONQUIOLITE

A bronquiolite, doença que atinge principalmente bebês e crianças menores de dois anos, pode começar com sintomas semelhantes aos de um resfriado, mas exige maior atenção dos pais. Em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde, dos 43,9 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) diagnosticados como vírus sincicial respiratório (VSR) no país, mais de 36,2 mil hospitalizações ocorreram em crianças menores de dois anos.

A médica pediatra Ana Luiza Braga explica que a principal causa da bronquiolite é o vírus sincicial respiratório, mas a condição pode ser causada por outros agentes. É o caso do coronavírus, influenza, bocavírus, rinovírus e metapneumovírus. Aliado a isso, há casos de manifestação em coinfecções, ou seja, quando uma bactéria está associada ao quadro clínico do paciente.

Os primeiros sintomas da bronquiolite incluem coriza, tosse e febre. Após o período de 48 h a 72 h do início desses sinais, a pediatra aponta que são observados sintomas das vias aéreas inferiores. “É nesse terceiro ao quinto dia que a doença pode agravar. Esses sintomas podem ser de diversos graus, como o aumento da frequência respiratória e o desconforto para respirar. Quando o médico vai avaliar o pulmão da criança, por exemplo, percebe alterações no processo de escuta”, explica.

Em geral, a bronquiolite tem duração de sete a 10 dias, com possibilidade de permanência da tosse por cerca de duas semanas. “Então a bronquiolite é diferente do resfriado, que apresenta apenas sintomas de vias aéreas superiores, como a coriza e a tosse, e não evolui para sintomas de vias aéreas inferiores. Já a gripe, desde o início, está associada a sintomas como a febre alta e uma prostração (exaustão) muito grande”, observa Ana Luiza Braga.

A médica pediatra adverte que outros sinais podem alertar os pais para a necessidade de levar o filho para atendimento especializado. É o caso da criança apresentar dificuldade para respirar, alteração nos níveis de consciência, seja com sonolência ou irritabilidade, e recusa alimentar e de líquidos.

Apesar de, em geral, a bronquiolite estar associada ao público de lactentes e crianças menores de dois anos, alguns fatores aumentam as chances da doença. “Os fatores de risco são o baixo peso ao nascer, prematuridade, comorbidades, como problemas cardíacos e doença pulmonar, além de pais tabagistas e convívio das crianças com tabagistas, crianças não amamentadas e imunocomprometidas”, completa.

Vacinação

Segundo Ana Luiza Braga, o tratamento da bronquiolite é de suporte. No entanto, crianças com quadros mais graves podem precisar de monitorização médica contínua, oxigênio, hidratação venosa e vigilância da alimentação para que não sofram engasgos. Já quando as crianças estão em casa, os pais devem priorizar a identificação do surgimento de fatores de gravidade nos filhos e realizar o manejo adequado da temperatura do paciente.

“Então, no hospital, a gente faz essas medidas de suporte, como hidratação, monitorização, oxigênio, lavagem nasal e aspiração das vias aéreas quando necessário. Então é um trabalho de suporte, porque não existe um medicamento específico para a bronquiolite”, aponta a médica pediatra.

Outro ponto que deve ser priorizado, segundo Ana Luiza Braga, é o calendário vacinal dos bebês e das crianças. Além do nirsevimabe, anticorpo que garante proteção imediata contra o vírus sincicial respiratório, ela destaca que a imunização contra a influenza e covid-19 é essencial. “O calendário vacinal atualizado é extremamente importante nesses casos”, reforça.

Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde divulgou que foram distribuídas 300 mil doses do nirsevimabe para aplicação imediata em todos os estados do país. A estratégia é voltada a recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e a crianças de até 23 meses com comorbidades. Segundo a pasta, diferentemente da vacina tradicional, o anticorpo atua logo após a administração, sem a necessidade de estimular o organismo a desenvolver resposta imunológica ao longo do tempo.

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