
O conterrâneo Edvan Bezerra, meu contemporâneo do Colégio Estadual "JK", membro da Academia Assuence de Letras(AAL) , migrou ainda jovem e não esconde o deslumbramento que lhe causou Salvador/BA. Ficou encantado com a terra de Castro Alves, Gregório de Matos e tantos outros luminares da poesia baiana.
Membro efetivo da Academia de Cultura da Bahia, deslumbrado com a imagem da mulher morena e sensual, negaciando nos movimentos dos coqueirais e na morna brancura das areias das praias, sintetizando a própria essência estética, cultural e identitária da Bahia.
Entre a vastidão do Atlântico e a ancestrilidade marcada na pele banhada de sol, forma-se um cenário onde o corpo e paisagem dialogam em profunda simbiose poética e social.
Leiamos a inspiração do nosso poeta.
AQUÍFERO
Assim são meus olhos a chorar por ti
Duas nascentes a transbordar saudade
Lembrando sempre tudo que vivi
Com muita dor o meu peito invade
Em nenhuma rosa teu cheiro senti
Teu perfume? Pétala é uma metade
De verter as lágrimas quase enlouqueci
Manicômio, tudo em tempestade
Águas já não tenho para tanto
Quietos, olhos vertem desencanto
Miram o céu, buscam alegrias
Nas nuvens veem transitar a paz
Uma glória que não tive mais
Só nos choros minhas alforrias
Edivan Bezerra
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