
Filho de ex-escravizados, Gregório Fortunato nasceu em São Borja, em 1900. Casou-se com Juraci Lencina, teve dois filhos e começou a vida como peão de estância. Nada fazia imaginar que aquele homem humilde se tornaria um dos personagens mais enigmáticos da história política brasileira.
Sua vida mudou quando conquistou a confiança de Getúlio Vargas. Durante mais de vinte anos, tornou-se o chefe da guarda pessoal do presidente, controlando o acesso ao Palácio do Catete e acompanhando de perto os momentos mais delicados do governo. Ficou conhecido em todo o país como “Anjo Negro”.
Não era ministro, deputado ou general. Exercia um cargo sem poder formal, mas poucos brasileiros estiveram tão próximos de um presidente da República. Via, ouvia e sabia o que quase ninguém sabia.
Em agosto de 1954, o atentado da Rua Tonelero mudou sua vida. A tentativa de assassinato contra Carlos Lacerda, que resultou na morte do major Rubens Vaz, desencadeou a maior crise política do governo Vargas. Gregório foi preso, acusado de organizar a operação. Nunca surgiu uma prova de que Getúlio Vargas tivesse ordenado o atentado.
Dezenove dias depois, pressionado por setores militares e pela oposição, Getúlio suicidou-se no Palácio do Catete.
Gregório permaneceu preso até 14 de junho de 1962, quando foi assassinado no Presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro. A versão oficial atribuiu o crime a outro detento. Mas sua morte jamais deixou de alimentar uma pergunta: morreu apenas como vítima da violência carcerária ou alguém desejava silenciar o homem que conhecia os bastidores da maior crise política da República?
Gregório Fortunato levou muitos segredos para o túmulo. Talvez por isso, mais de setenta anos depois, o Anjo Negro continue sendo um dos personagens mais fascinantes e misteriosos da história do Brasil.
Fonte: Henrique Pinheiro
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