A empolgação (leia-se barulho) da torcida brasileira pode ter incomodado alguns estrangeiros, mas certamente encantou aqueles que conquistaram um lugarzinho especial no coração do público. Do título (informal, claro) de brasileiro honorário ao fenômeno norte-americano Michael Phelps ao carinho destinado à goleira de handball da Angola, Teresa Almeida, que ouviu a torcida cantar "eu sou angolano, com muito orgulho, com muito amor", os brasileiros aumentam a cada dia de competição a lista dos vistantes escolhidos para chamar de nossos. Confira:
NOVAK DJOKOVIC

Número 1 do ranking mundial, o tenista sérvio Novak Djokovic se emocionou com o carinho do público. Torcer pelo melhor, de fato não é difícil, mas o caso de amor dos brasileiros com Djoko tem raízes mais profundas. Amigo de Guga Kuerten, ele sempre elogiou o Brasil e o carisma do público. Chegou ao Rio de Janeiro com munhequeiras verde e amarelas e também usou bolsas com as cores do país. O público já estava rendido, mas não bastasse isso, seu último jogo na Olimpíada foi contra o argentino Martin del Potro, que jogou contra a torcida, mas levou a melhor. Sem controlar as lágrimas, Djoko se declarou para o público. "Eu, honestamente, não sei como agradecer. Esse tipo de atmosfera senti poucas vezes na minha vida. Eu me senti como se estivesse no meu país, eu me senti como se fosse brasileiro, não sei. Foi incrível."
TERESA ALMEIDA

"Ahhhhhhhhh, a Bá é melhor que Neymaaaarrrr". A comparação pode ser esdrúxula, mas com a popularidade do craque brasileiro em baixa, os torcedores buscaram outro ídolo para preencher o vazio. Com 1.70m e 98kg, Teresa, de 28 anos, ganhou a atenção dos torcedores não apenas pelo seu ótimo desempenho no gol da Angola. Mais conhecida como Bá, a goleira gordinha caiu nas graças dos brasileiros. "Eu sei que vocês torcem por mim porque eu sou assim, mais fofinha", destacou ela, citada pelo jornal O Globo. A língua comum com as meninas de Angola ajudou na conexão com o público e a torcida não se limitou ao novo xodó. "Eu sou angolano, com muito orgulho, com muito amor", cantaram os brasileiros para impulsionar o time na vitória contra a Romênia, equipe da melhor do mundo, Cristina Neagu.
POPOLE MISENGA

Parte do primeiro time de refugiados dos Jogos Olímpicos, Misenga nasceu na República Democrática do Congo e chegou ao Brasil em 2013. Seus dias por aqui não foram fáceis. Antes de se tornar um atleta do judô, treinado pelo instituto Reação, Misenga chegou a passar fome e rodar por favelas do Rio de Janeiro. O congolês, que reconstrói a vida nas terras tupiniquins, sentiu o coração mais verde e amarelo com o calor da torcida. Assim que pisou no tatame, Misenga viu o público vibrar com sua presença. "O Brasil inteiro estava torcendo por mim. Me emocionei", contou o atleta, surpreso pelo barulho.
ANTHONY SHARWOOD

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