Hospitais Regionais Pedem Socorro
Isaac Lira - repórter
Um dos princípios do Sistema Único de Saúde é a regionalização do atendimento. Uma cidade-pólo concentra vários serviços para que a população de municípios menores - e vizinhos - tenham acesso. A se julgar pelo que está acontecendo no interior do Rio Grande do Norte, a estratégia não vem surtindo efeito. Sem estrutura de equipamentos e com a ausência de vários serviços, alguns hospitais regionais no interior do Estado têm sido utilizados para suprir as carências da atenção básica ao passo em que não conseguem evitar um dos principais gargalos do sistema: o envio de pacientes para a capital.
São 5h30, quase fim de plantão no Hospital de Santa Cruz. A médica é chamada no repouso pela técnica de enfermagem para atender um paciente. Antonio Trajano vem de São Bento do Trairi para mostrar um exame de raio-x ao médico de plantão em Santa Cruz. A médica, que preferiu não se identificar, não teve como fazer o atendimento. "Não sei o histórico do paciente, não tenho como avaliar. Aqui, a maioria dos casos é de ambulatório. Acabamos atendendo pacientes com problemas que não deveriam estar aqui", explica a plantonista.
Um dos princípios do Sistema Único de Saúde é a regionalização do atendimento. Uma cidade-pólo concentra vários serviços para que a população de municípios menores - e vizinhos - tenham acesso. A se julgar pelo que está acontecendo no interior do Rio Grande do Norte, a estratégia não vem surtindo efeito. Sem estrutura de equipamentos e com a ausência de vários serviços, alguns hospitais regionais no interior do Estado têm sido utilizados para suprir as carências da atenção básica ao passo em que não conseguem evitar um dos principais gargalos do sistema: o envio de pacientes para a capital.
São 5h30, quase fim de plantão no Hospital de Santa Cruz. A médica é chamada no repouso pela técnica de enfermagem para atender um paciente. Antonio Trajano vem de São Bento do Trairi para mostrar um exame de raio-x ao médico de plantão em Santa Cruz. A médica, que preferiu não se identificar, não teve como fazer o atendimento. "Não sei o histórico do paciente, não tenho como avaliar. Aqui, a maioria dos casos é de ambulatório. Acabamos atendendo pacientes com problemas que não deveriam estar aqui", explica a plantonista.
Júnior Santos
Paciente busca atendimento em hospital de Currais Novos, mas não há tomografia, ressonância, endoscopia, ultrassonografia...
Paciente busca atendimento em hospital de Currais Novos, mas não há tomografia, ressonância, endoscopia, ultrassonografia...
Nesse caso, a deficiência é da rede básica. A "ambulancioterapia" também acontece no interior, assim como no Walfredo Gurgel, em Natal, com uma grande quantidade de carros de outras cidades repletos de pacientes à procura de atendimento parados na porta do hospital. Em Caicó, Currais Novos e Santa Cruz, a busca é pela resolutividade de casos mais simples, que deveriam estar em um pronto-atendimento ou posto de saúde. Mesmo assim, todas as prefeituras de cidades menores empurram pacientes com esse perfil para as urgências e emergências dos regionais. Em Caicó, por exemplo, a direção do hospital estima que de cada 100 atendimentos, apenas 10 são de urgência e emergência.
Mas há também o outro lado. Da mesma forma que a atenção básica falha e enche os hospitais regionais de pacientes, esses mesmos hospitais têm deficiências estruturais e não cumprem seu papel a contento. Um claro exemplo: em Currais Novos falta tomografia, ressonância, hemodinâmica, endoscopia, ultrassonografia, entre outros exames e procedimentos. Pacientes com problema cardíaco, como infarto, são medicados e enviados para Natal. A escala de ortopedia tem problemas. Assim como em Caicó, onde cirurgias de fêmur não são realizadas. "Não temos um equipamento chamado arco cirúrgico, então quem precisa de cirurgia de fêmur vai para Natal.
Equipamentos estão defasados em Caicó
Segundo relato de funcionários, o Hospital Regional de Caicó passa por inúmeros problemas de estrutura, tanto de número de profissionais quanto de equipamentos. Os mais citados foram o centro cirúrgico e o atendimento de urgência e emergência, ambos com deficiências consideradas graves. A sala de urgência não tem alguns equipamentos fundamentais, como o desfibrilador, que serve para reanimar os pacientes. Não há também monitor cardíaco, por exemplo. O diretor da unidade, Nildson Dantas, reconhece as falhas. "Temos esses equipamentos somente na UTI. Claro que o ideal seria tê-los em todos os setores, como na urgência, no centro cirúrgico, etc", reconhece.
Já no Centro Cirúrgico o funcionamento depende de um improviso. Há uma bacia de alumínio que escora a mesa de cirurgia. Ela é responsável por dar sustentação à mesa e por impedir que a água e outros líquidos vazem e prejudiquem a estrutura de ferro. Com o vazamento, a mesa passa a não ter mais mobilidade. Além disso, a estrutura está enferrujada, defasada. Detalhe: todos os equipamentos - autoclave, que serve para esterilizar o material hospitalar; o raios X, entre outros. têm 20 anos de idade. Nildson Dantas afirma que realmente há necessidade de comprar novos equipamentos para o hospital, que foi estadualizado há menos de um ano.
Veja integra da matéria no Jornal TN- link ao lado
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