
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou a Donald Trump um documento com argumentos contrários à classificação de facções criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), como organizações terroristas. O petista se reuniu com o presidente norte-americano na quinta-feira (7).
A jornalistas, após o encontro, Lula afirmou que o tema não foi alvo de discussão na Casa Branca.
O documento entregue por Lula ao presidente dos Estados Unidos reforçou argumentos apresentados durante a reunião e detalhou pontos que ficaram de fora da conversa, relataram interlocutores à reportagem. O material foi estruturado em quatro eixos principais:
- Comercial, com foco em tarifas
- Cooperação para combate ao crime organizado
- Minerais críticos
- Brasileiros sancionados nos EUA
No material também consta argumentos em defesa do Pix. A ferramenta de pagamento instantâneo é alvo de investigações pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) na chamada “seção 301”, que mira supostas práticas desleais.
Os Estados Unidos estudam a possibilidade de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas. O governo brasileiro é relutante sobre o tema. Em encontros técnicos com os americanos, a gestão federal chegou a indicar que pela legislação brasileira isso não poderia acontecer.
O argumento é de que pela lei isso não é possível pois a atuação das facções não envolve crime de ódio ou religioso, mas sim a obtenção de lucro por meio do tráfico de armas e de drogas.
Combate ao crime
Lula disse após o encontro que propôs a Trump criação de um grupo de trabalho para combater o crime organizado. “Eu disse para ele [Trump] que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul, da América Latina, quiçá com todo os países do mundo para a gente criar um grupo forte de combate ao crime organizado”, afirmou Lula.
Em sua fala, Lula destacou que o combate ao crime organizado precisa ser compartilhado entre todos e exaltou os trabalhos do Brasil nesse sentido, ressaltando a importância da atuação da Polícia Federal.
“O Brasil tem expertise. Tem uma extraordinária Polícia Federal, tem muita experiência no combate às drogas, ao tráfico de armas. E é importante saber que parte das armas que chegam no Brasil saem dos Estados Unidos. É importante saber que tem lavagem de dinheiro que é feita em estados americanos”.
CNN Brasil
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