Ao entardecer do dia 28 de setembro de 1908, no número 18 da Rua Cosme Velho, no Río de Janeiro, um adolescente bate a porta.
Identificou-se que era apenas um leitor. Queria notícias do enfermo e se podia vê-lo. E se ouviu uma voz, já ofegante de dentro da sala, pedindo que deixar-se o visitante entrar.
O fato foi narrado dois dias depois por Euclides da Cunha que estava na casa de Machado de Assis, em artigo publicado um dia após a morte do escritor, com um título que ficaria na história literária "A última Visita". A visita anônima era Astrogildo Pereira, aquele que escreveria um livro sobre Machado de Assis e fundaria o Partido Comunista Brasileiro em 1922.
Testemunharam a cena os seguintes escritores que estavam na sala: José Veríssimo, Graça Aranha, Raimundo Correia, Coelho Neto e o próprio Euclides da Cunha, que descreveram assim: E o anônimo juvenil, vindo, foi conduzido ao quarto do doente. Chegou não disse uma palavra. Ajoelhou-se. Tomou a mão do mestre, beijou-a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois por algum tempo ao peito. Levantou-se e, sem dizer uma palavra, saiu, quem era aquele rapaz?
Mas, Astrogildo Pereira, mereceu a edição da obra completa de Martin César Feijó. Astrogildo por ser Comunista e sustentar suas ideias, teve a casa invadida e saqueada aos 74 anos como escreve Sérgio Augusto, encontraram apenas um homem armado de livros até o teto.
Fonte Bibliográfica: Vicente Serejo.
CHICO TORQUATO
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