domingo, fevereiro 6

ARTIGO - O FERMENTO DO RANCOR

 

Jules Amédée Barbey de Aurevilly, foi um romancista e contista francês. Ele se especializou em contos de mistérios que exploravam as motivações das invejas e ambições.
Os textos críticos de Aurevilly dão um esboço desse autor: Nesse talento e nessa cabeça, contém a supremacia sobre o manso Abel.
O rude, o faminto, o invejoso, o selvagem Caim, que se foi para as cidades a fim de sorver o fermento do rancor que aí se acumula e de participar das falsas ideias, pensando em retornar ao seu habitat.
Com um pouco de perspicácia, é fácil reconhecer um Caim dos dias atuais. Nos fisiognomonistas, esse dom aparece naqueles que foram desalojados, e a vontade exacerbada, leva o ambicioso a declarar imperiosamente os seus interesses de voltar ao seu antigo posto.
E, para avaliarmos o comportamento de um invejoso, o conhecimento preciso dos seus interesses com frequência será muito mais útil do que sua péssima índole.
Desse modo, se o invejoso, torna-se manipulador de opiniões, socialmente a transformação lhe assenta muito bem, pois justifica a sua ociosidade.
O ambicioso é acima de tudo alguém que não se sente seguro em sua própria sociedade. Por isso busca na divulgação de suas impropriedades, e não é preciso ir muito longe, para achar a razão porque só ele mesmo acredita nelas.
CHICO TORQUATO

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